...
Fecho o álbum, acendo um cigarro. Para lá da janela atinjo a linha
azul do horizonte que se desvanece na tarde. Penso, penso. Não, não
penso: procuro. Outra vez, outra vez. Não, não quero «saber», sei já há
tanto tempo... Mas nenhum saber conserva a força que estala no que é
aparição. Porque o escrevo de novo? A verdade é que nada mais me
importa. E, todavia, um estranho absurdo me ameaça: quero saber, ter, e
uma aparição não se tem, porque não seria aparecer, seria estar, seria
petrificar-se. Queria que a evidência me ficasse fulminante, aguda, com a
sua sufocação, e aí, na angústia, eu criasse a minha vida, a
reformasse. Mas uma reforma, uma regulamentação é já do lado de fora.
Quem é fiel a uma certeza e a pode «ver» quando lhe apetece? A
fidelidade é então só teimosia ou cedência à parte convencional da
«nobreza de carácter», da «honradez». Não é isso, não é isso que eu
quero. Em que iluminação eu acredito quando falo em nome dela e a
imponho a Ana, aos outros? Falo de cor - a iluminação é então a minha
noite de secura. Por isso, quando ela volta, eu me abro à sua devassa, à
acidez da sua presença. Por isso eu recebo ainda agora e falo dela e me
aqueço e queimo ao seu lume. Não escrevo para ninguém, talvez, talvez: e
escreverei sequer para mim? O que me arrasta ao longo destas noites,
que, tal como esse outrora de que falo, se aquietam já em deserto, o que
me excita a escrever é o desejo de me esclarecer na posse disto que
conto, o desejo de perseguir o alarme que me violentou e ver-me através
dele e vê-lo de novo em mim, revelá-lo na própria posse, que é
recuperá-lo pela evidência da arte. Escrevo para ser, escrevo para
segurar nas minhas mãos inábeis o que fulgurou e morreu.
...
Esta foi a primeira das muitas obras que acabei por ler nestes anos.
Lembro-me bem da oferta que a minha irmã me deu já bem perto do natal e da recomendação que agora não tinha desculpa para não ter boa nota a português... Embora a boa nota a português não tivesse acontecido acabei por ganhar aqui um gosto pela leitura que não consegui explicar.
(é importante abrir o parênteses para explicar que até então era contra os livros, se calhar porque a minha mãe e a minha irmã devoravam livros...)
Embora o tenha lido em 1999, ainda hoje está em destaque na prateleira dos melhores livros e sem dúvida que esta narrativa apaixonada me apaixonou pela literatura. Com uma escrita simples e bastante descritiva encontrei uma nova paixão!
Esta foi a primeira das muitas obras que acabei por ler nestes anos.Lembro-me bem da oferta que a minha irmã me deu já bem perto do natal e da recomendação que agora não tinha desculpa para não ter boa nota a português... Embora a boa nota a português não tivesse acontecido acabei por ganhar aqui um gosto pela leitura que não consegui explicar.
(é importante abrir o parênteses para explicar que até então era contra os livros, se calhar porque a minha mãe e a minha irmã devoravam livros...)
Embora o tenha lido em 1999, ainda hoje está em destaque na prateleira dos melhores livros e sem dúvida que esta narrativa apaixonada me apaixonou pela literatura. Com uma escrita simples e bastante descritiva encontrei uma nova paixão!

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